sábado, 6 de junho de 2026
Múltipla
sexta-feira, 26 de dezembro de 2025
Bicho de costume
Eu tenho mania de fazer tudo do mesmo jeito, repetir as palavras, as ideias, frases e até as memórias. Insisto que tenho como "missão" quebrar diversos ciclos, mas tenho a sensação de que poucas vezes consegui fazer isso. Terminei a penúltima temporada de Voyager. Talvez eu esteja perto de encerrar um ciclo de 8 anos atrás.
O problema de ser uma criatura de hábitos é que alguns hábitos são vícios, como o vício em estar triste. Sometimes I miss the misery, but I hate it anyway.
sábado, 27 de setembro de 2025
Até quando?
Notei um padrão esquisitíssimo nas minhas postagens, que eu já deveria ter notado há mais tempo, Preciso estar mal da cabeça pra sentir vontade de escrever aqui.
Tive alta da terapia esse ano, e já me sinto mal de novo. Não sabia que alta da terapia era possível, mas caso você que lê esteja se perguntando como funciona, já adianto que não acontece quando todos os problemas se resolvem, e sim quando se resolvem todos os problemas que a terapia é capaz de resolver. Todo o resto fica, e infelizmente o resto é muita coisa.
Não sei até quando vou aguentar.
segunda-feira, 23 de dezembro de 2024
30
Fiz 30 anos há aproximadamente um mês, e ainda não me sinto como um adulto. Não tenho orgulho disso, aliás, mas acho que pode ser consequência da forma como o mundo tem funcionado. Imagine aquele chavão "tempos difíceis criam pessoas fortes, pessoas fortes criam pessoas fracas, pessoas fracas criam tempos difíceis" e assim por diante. É uma grande besteira, eu sei, mas se você aplicar essa lógica ao mundo real e considerar todas as complexidades da vida, eu poderia te dizer que me sinto no momento sendo a pessoa fraca que vive, pois criou, tempos difíceis.
Nada é barato, trabalho sem parar e as contas não param de chegar também. Sei que minha vida é tranquila e confortável, mas existem muitas pessoas que trabalham bem menos e têm uma vida mais confortável ainda. Espero que um dia eu faça por merecer uma vida mais tranquila, porque me sinto cada vez mais cansado.
Hoje especificamente, a minha desorientação tem uma causa específica e conhecida, que é o fato de eu ter demorado demais pra tomar meu antidepressivo. Como diz uma grande amiga minha, que também toma o mesmo remédio, "você esquece esse remédio, mas ele não esquece você".
Apesar de eu não me sentir um adulto funcional, a cada dia que passa mais tomadas de decisões adultas são impostas a mim, o que se soma a toda a exaustão provocada por eu estar sempre "correndo atrás do prejuízo". Expressão esquisita, não? Talvez esse seja meu erro. Não deveria correr atrás do prejuízo, e sim fugir dele.
Ou talvez tudo isso seja uma longa punição contínua por qualquer erro que eu tenha cometido na vida. Aqui se faz, aqui se paga. Nos dias difíceis, tem gente que diz que tá vivendo no inferno. Eu não sou tão dramático assim. Acho que é o purgatório.
Ainda amo e sou amado, e isso me dá forças para seguir em frente.
segunda-feira, 23 de setembro de 2024
O que muda e o que fica (tendinite)
Durante a pandemia, desenvolvi tendinite. Provavelmente por conta da má postura em frente ao notebook e às horas que eu passava jogando (mal) Valorant. Meu mouse não era ergonômico, o que não ajudava muito. Atualmente faço fisioterapia pra resolver isso. Além disso, minha depressão vai e volta, assim como a ansiedade. A solução, além da terapia e da medicação, seria ter uma prática de atividade física. Infelizmente, por falta de ânimo, tempo e dinheiro, não consigo engajar em musculação como a maioria das pessoas que eu conheço que tinham os mesmos problemas pra resolver.
Sei que a atividade física mais pesada me faria dormir melhor e me faria melhorar consideravelmente da depressão e da ansiedade, e que talvez aí até a fisioterapia surtisse mais efeito. Mesmo assim, são 1h10 da madrugada e estou acordado.
Sigo sem descansar.
segunda-feira, 18 de março de 2024
Bella
Depois de tanto tempo, a Bella nos deixou. Bella era nossa cachorra caramelo. Sua chegada em casa foi estranha, não entendíamos a responsabilidade que era cuidar dela, e não entendíamos o quanto poderíamos aprender com ela.
Vamos sentir muita falta de todo o amor que ela nos deu. Vamos sentir falta dela pisando no nosso pé pra gente não parar de fazer carinho nela, da forma como ela parecia brava quando estava no quintal latindo pra rua e da forma como ela era gentil e dócil com qualquer visita. Nunca vou me esquecer de como era bom fazer carinho nas orelhinhas dela, e como ela era engraçada quando pedia carinho. Não vou me esquecer de como ela se irritava quando assistíamos TV até tarde nem da alegria que ela sentia quando voltávamos pra casa, fosse de uma rápida ida ao mercado ou voltando do trabalho depois de muitas horas fora.
Gosto de acreditar que ela está num lugar melhor, com meu avô, com o Quinho (o outro cachorro que tivemos), com outros amiguinhos que ela fez aqui na rua e que já partiram. Nesse lugar, ela pode correr, como conseguia fazer quase até os últimos meses de vida, mas sei que depois de correr durante muito tempo, ela não vai estar mais ofegante porque não vai estar cansada. Lá, está tudo bem.
Bella, você partiu, mas a saudade vai ficar e você vai viver pra sempre nos nossos corações.
Te amamos muito.
domingo, 26 de fevereiro de 2023
Amor
Estou amando e estou sendo amado. Tenho uma namorada maravilhosa e isso me faz feliz.
quinta-feira, 29 de dezembro de 2022
Adeus ano velho e tudo que veio antes
Boa noite!
Passando aqui com uma publicação um pouco diferente, em que eu só falo coisas positivas em vez de misturar informações desconexas aleatórias. Ou quase isso.
O mundo ainda não está perfeito, longe disso, aliás, mas dá pra ver uma luz no fim do túnel no quesito "doença maldita que levou muita gente embora e ainda tá por aí". Estou com as 4 doses de poção mágica e todas as pessoas que eu amo também estão.
Meus amigos próximos estão procurando e aceitando ajuda para resolver seus problemas pessoais, e isso nunca falha em colocar um sorriso no meu rosto. O caminho não é fácil, mas o destino é satisfatório, e a jornada pode até ser divertida de vez em quando.
Quanto a mim, no momento estou ouvindo a música "I Believe in A Thing Called Love", que outrora me lembrava de coisas desagradáveis, e agora simplesmente condiz com a situação que estou vivendo. Pois é, caríssima pessoa desconhecida que aparece aqui pra ler o que eu escrevo: eu gosto de uma mulher e ela gosta de mim. Depois de anos acreditando que ninguém poderia me amar, passei pra uma fase ainda mais triste de acreditar que eu mesmo não era capaz de amar alguém. Felizmente isso passou. Não sei como isso vai terminar, mas a jornada, assim como as dos meus amigos, está sendo divertida. Acho que eu merecia isso pra variar.
Ah, sim, tínhamos um verme como líder, e o reinado dele acaba depois de amanhã.
De vez em quando, tudo dá certo.
E
eu
ainda
gosto
de
pular
linhas.
domingo, 8 de maio de 2022
Sentimentos confusos e mensagens respondidas
E numa reviravolta absurda, venho aqui pra escrever alguma coisa apenas um dia depois de ter publicado um texto, dessa vez complementando e contando um pouco mais do que aconteceu nos últimos dias. No momento, estou quase saindo do sentimento de raiva, e estou registrando isso aqui para que, entre vários motivos, um dia eu possa lembrar desse fim de semana, quando nada disso aqui mais importar, e só dar risada de como fui azarado. Ou sortudo.
Primeiramente, sobre a declaração inesperada que eu mencionei na publicação anterior, não foi exatamente uma declaração e sim um convite para um encontro sem compromisso, e eu finalmente respondi. Infelizmente, caso alguém aí estivesse torcendo pelo sucesso de um casal cuja integrante além de mim vocês não conhecem, eu a dispensei, pelo simples fato de que eu passei os últimos 2 anos acreditando ser incapaz de sentir amor por alguém de novo algum dia da minha vida. Ela queria que fosse sem compromisso, mas a não-exigência de compromisso não denota ausência de pretensão, e haveria sim a pretensão de qualquer tipo de troca afetiva, fosse como um casal sério ou apenas dois ficantes, coisa que eu não sei fazer. Até o momento atual da minha vida, nunca tive vontade de investir numa relação interpessoal que não envolvesse algum sentimento mais forte, e como não ando me sentindo capaz de amar, não gostaria de forçar a moça a encontrar uma pessoa apática e frígida. Propus que pudéssemos ser amigos e ela achou isso legal.
Depois de relatar alguma coisa de maneira direta pela primeira vez nesse blog, vamos ao relato das coisas que ocorreram em comparação às coisas que não ocorreram nesse último final de semana. Eu havia me planejado pra ir numa festa que reviveria os tempos emo com a minha amiga que mora em João Pessoa. Não sou dado a festas, mas sou dado à música e gosto da companhia da minha amiga, mesmo que nos vejamos pessoalmente tão pouco. Eu também conheceria os amigos dela que organizaram a festa, e isso seria legal para todos, acredito. Infelizmente, como estou com a covid-19, não pude ir, e só vendi meu ingresso para outra amiga da minha amiga e ninguém deveria ter saído perdendo.
Se eu estivesse lá. sabendo que, como eu disse, não sou dado a festas, minha amiga e eu teríamos saído mais cedo, quando a festa ainda estava divertida. Como eu não estava lá, ela presenciou desilusões amorosas e bebedeiras além da conta por parte dos amigos, que tiveram que contar com a única pessoa sóbria restante no grupo (minha amiga) para cuidar deles até o Airbnb onde o grupo estava hospedado, e onde as desventuras continuaram de maneira tragicômica. E não. Não vou relatar aqui exatamente o que aconteceu com eles porque acho inadequado, e porque eu só ouvi as histórias, não presenciei.
Se eu não estivesse doente, eu teria ido, minha amiga teria saído mais cedo comigo e ela não precisaria passar pelo transtorno de presenciar tanta bagunça e caos. Se ela não estivesse lá, entretanto, os amigos dela não teriam apoio nem auxílio. Impossível calcular se minha presença, além de acarretar na saída antecipada da minha amiga, poderia ter interferido positivamente ou negativamente no caos que se sucedeu.
O tempo continua passando para frente e eu ainda não sei lidar com amor, mas em poucos dias já tenho minhas dúvidas quanto a inexistência de tal sentimento dentro de mim.
E apenas para não ficar nesse lenga lenga de reclamação sobre estar doente e não ir a uma festa, também queria contar aqui que existe uma chance de eu voltar a trabalhar na empresa na qual eu trabalhei durante muitos anos e parei de trabalhar por questões mais fortes, mas isso é outra história.
sexta-feira, 6 de maio de 2022
Sentimentos ruins e mensagens a responder
No auge da pandemia de covid-19, eu tive dengue. Não foi nem um pouco agradável, e poder fazer a piada de que eu gosto de ser diferentão foi o único ponto positivo desse momento. Fora isso, foi apenas o sentimento de exaustão que esteve ao meu lado, além do meu pai, claro, que também esteve exausto porque foi infectado com dengue na mesma semana.
Sobre exaustão, e voltando ao presente, em que a pandemia está quase controlada, o pessoal do meu trabalho achou que seria melhor que eu trabalhasse um pouco menos, porque meu horário excessivo de trabalho já estava me afetando quase como fui afetado nos longínquos e estranhos tempos de 2014 a 2017, que dependendo da referência, não estão tão distantes assim de mim, mas que me parecem eras atrás. Os primeiros dias foram interessantes, pois me sobrou tempo para descansar e até mesmo para adiantar trabalho que outrora eu faria aos finais de semana. Isso felizmente coincidiu com um momento da minha vida em que eu recebi muita atenção por conta, claro, de trabalhos legais que eu fiz. Atenção faz tão bem quanto descanso, afinal.
Mas para meu azar, e como numa manifestação ainda mais ridícula de como gosto de ir na contramão, agora que a pandemia de covid-19 está quase controlada, fui infectado com a tal covid-19. Tenho respeito por sentimentos negativos como medo e ódio. Acho que eles são úteis para nos manter vivos e para nos fazer seguir adiante, mesmo que devam ser abraçados com parcimônia. Infelizmente, pegar covid-19 neste final de semana me deixou triste, e quanto à tristeza eu não sei o que fazer. A única coisa que a tristeza causa em mim é a vontade de escrever, mesmo que eu já tenha escrito coisas quando não estava triste. Então a figura hipotética que talvez possa ler esse blog pode ter a agradecer à minha tristeza.
Além de não saber o que fazer com a tristeza, não sei o que fazer em relação a algumas mensagens que recebo eventualmente. Deixei passar aniversários de amigos, não respondi a declarações bem inesperadas... Talvez eu não saiba lidar com coisas positivas também.
Amor e tristeza são mais úteis que medo e ódio, mas me causam mais estranhamento.
Estou ansioso pelo dia em que vou ter aprendido um pouco mais sobre esses sentimentos e vou poder escrever sobre isso por aqui.
sexta-feira, 31 de dezembro de 2021
Mais gente do outro lado
Eu poderia encerrar o ano de 2021 falando aqui sobre o filme do meu super-herói favorito que lançou recentemente, afinal o filme adapta parcialmente o arco que eu comentei aqui no começo desse blog. Também poderia usar esse espaço para falar sobre como me sinto em relação ao meu trabalho, sobre ter me mudado pra uma casa maior, sobre coisas que aprendi, reaprendi e desaprendi, sobre amizades, sobre decepções amorosas com amores que nunca chegaram a existir... Nada disso. Vou falar sobre a tia que partiu.
Como esse receptáculo de mensagens é o registro mais íntimo e ao mesmo tempo mais impessoal que tenho na internet, vou preservar o nome dela.
Ontem faleceu uma tia avó, de tanto trabalhar. Não foi covid nem nada parecido. Não deu tempo de se preparar nem pudemos nos despedir. O coração dela simplesmente bateu pela última vez. Foi um momento triste, porque ela era daquelas pessoas que nascem de tempos em tempos com a missão de resolver problemas. Ela sustentou um núcleo da família como se fosse mãe deles, sem nunca ter se casado ou tido filhos.
Essa tia era como uma irmã mais velha para minha mãe, e também era amiga de adolescência da minha avó desde antes delas saberem que seriam cunhadas um dia. Figura materna para vários, arranjou emprego pra metade das pessoas da cidade onde eu nasci e onde parte da família viveu durante muitos anos.
Infelizmente, das pessoas que eu conheci desse lado da família, tem mais gente do outro lado do que desse.
A tendência do tempo é continuar passando, mas isso é cansativo às vezes.
Que 2022 seja mais gentil.
sábado, 20 de novembro de 2021
Onde estou
Sobre onde estive, onde estou e aonde vou.
Há cerca de um mês, minha família e eu nos mudamos para mais perto do meu trabalho. Obviamente, essa mudança foi feita após avaliarmos os prós e contras e, claro, os prós se sobressaíram. Estamos felizes onde estamos e as coisas não poderiam estar melhores quanto a isso. Enquanto escrevo isso, vejo os carros na rua, da minha sacada, e não sei nada sobre eles, nem de onde vêm nem aonde vão. Quanto a outras questões pessoais, as coisas são mais complexas, e não digo isso de uma maneira necessariamente ruim, é apenas como a vida é.
Estou próximo do meu aniversário e sempre fico mais reflexivo quando essa data está chegando. A magia que sinto em comemorar o aniversário de outras pessoas dificilmente se faz presente quando o aniversário é o meu. É um assunto que esqueci de levar para a terapia essa semana. Acredito que eu não seja capaz de lidar tão bem com as atenções tão focadas em mim, mesmo sendo uma pessoa que, normalmente, gosta de receber atenção. O aniversário é apenas uma data em que comemoramos o fato de estarmos vivos há um determinado período de tempo. E considerando que o mundo não tem sido muito gentil com os vivos, é de fato uma conquista a se comemorar e celebrar. Ainda assim, me cansa.
Ainda sobre atenção, tenho recebido excessiva atenção por um dos maiores trabalhos da minha vida, que passei meses executando. A receptividade do público está super positiva e isso é maravilhoso. Mesmo assim, sinto-me um tanto quanto exausto dessa atenção girando em torno desse projeto. Confesso que esse tipo de frisson sempre me pareceu divertido e importante para alguém na minha área, mas eu já previa que poderia consumir minha energia e eu tinha razão quanto a isso. Mais de uma vez me peguei pensando que logo isso passa, mas concluí que mesmo que o hype passe, dificilmente as coisas vão retroceder. Isso tudo de fato cansa, mas não posso fazer nada a respeito além de aprender a lidar.
Muitas vezes, seja no meu presente ou num passado – recente ou distante –, senti inveja dos carros que vejo passando na rua, porque a origem e o destino deles pouco importam. Esse pensamento nunca sobrevive a uma reflexão mais longa do que 30 segundos, porque lembro que suas origens e destinos importam para seus motoristas, e volto a focar em dirigir minha própria vida.
A tendência do tempo e continuar passando e não tem nada que possamos fazer a respeito.
quarta-feira, 4 de agosto de 2021
No fundo, fica falso (ou como minha profissão pode acabar)
É cada vez mais frequente entre meus colegas de trabalho a discussão sobre o fim da nossa profissão com a evolução das tecnologias text-to-speech e técnicas de deepfake por computação gráfica. Aliás, essa discussão, em e com outros termos, já existia muito antes de eu entrar nesse meio. E é óbvio que essa profissão vai acabar um dia, assim como muitas outras que deixaram de existir. Enquanto isso é ruim para os profissionais envolvidos, é apenas natural para a humanidade como um todo.
Entretanto, algumas questões ficam sem grandes respostas na minha cabeça. Quando isso vai acontecer? Estamos tão perto assim do fim da necessidade de dublagem ou, melhor dizendo, o fim da dublagem feita por pessoas? Em termos simples, nosso trabalho é feito de interpretação artística, ou seja, atuação, e sincronização com movimentos labiais e/ou áudio original de uma obra. Uma tecnologia de text-to-speech é capaz de interpretar? Provavelmente sim. Essa mesma tecnologia conseguiria adaptar falas de um roteiro para que o movimento labial combinasse com o que está sendo dito ou essa parte do trabalho ainda teria que ser feita por um ser humano?
Na possibilidade de um sistema text-to-speech não conseguir cuidar do lipsync, as técnicas de deepfake poderiam resolver essa parte do trabalho? Ora, se um filme de orçamento milionário teve parte de sua recepção negativa causada por um bigode removido digitalmente de maneira porca, poderíamos mesmo usar animação em CGI para alterar o movimento labial de todos os atores de um filme sem que aquilo tudo ficasse parecendo um episódio bem trabalhado de Annoying Orange? Não pergunto nem se o público vai se importar, considerando que ninguém gosta muito dos voice-overs, aquelas dublagens "estranhas" de documentários. Quanto a voz, temos outras questões importantes. As vozes deveriam ser formadas em cima de um banco de dados e fonemas gravados previamente. Fico interessado em saber se são pagos os royalties para as pessoas que gravaram vozes de inteligências artificiais que já usamos, se vai haver pagamento de direitos autorais e conexos.
Claro que boa parte dessas perguntas só fazem sentido se ignorarmos a possibilidade de uma máquina conseguir gerar uma voz do zero, coisa que eu acho bem improvável. Aliás, se uma máquina conseguir interpretar com sentimentos, ela está a quantos passos de poder ser considerada um ser vivo com direitos e deveres? Bom, essa última pergunta foi uma versão rasa de qualquer discussão em obras de ficção científica. Ainda na ficção científica, se nada disso importar e conseguirmos, num futuro próximo, ter tradutores universais, como os de Star Trek ou Doctor Who. Além de acabar com a minha profissão, isso mudaria nossa forma de pensar? Estaríamos abrindo mão de formas diferentes de pensar?
Aproveito a deixa para redirecionar aqui um artigo científico que fala um pouco sobre como aprender outros idiomas muda nossa forma de pensar: http://euler.mat.ufrgs.br/~viali/estatistica/estatistica/outros/Linguagem.pdf
Depois de fazer perguntas – algumas meramente retóricas – sobre o quanto essas novas tecnologias impactam no meu trabalho, deixo registrada uma preocupação um pouco mais ampla e de alcance e consequências coletivas: ao criar ferramentas que emulam vozes reais e emoções reais, esbarramos na perigoso uso para fins maliciosos, como incriminar outras pessoas.
Agora imaginem que um líder político que a população considera um grande g3n0c1d4 se livra de acusações dizendo que metade de suas declarações criminosas foi fruto de uma brincadeira de algum tuiteiro engraçadinho com habilidades avançadas de edição de vídeo e animação. É um problema possivelmente maior do que o fim da minha profissão.
domingo, 1 de agosto de 2021
E nada permanece igual
Recentemente desativei meu Twitter porque a situação estava um pouco cansativa e não acho que sou obrigado a aceitar este tipo de coisa. A coisa em questão é o fato de que um dos meus trabalhos mais recentes tem um alcance maior do que qualquer outra coisa que eu já tenha feito, e o engajamento em cima do que eu publico ficou maior do que nunca. Não posso responder a todas as perguntas que me fazem, e eu estava ficando um pouco irritado tendo que escolher entre o que eu deveria responder educadamente com um "não posso falar sobre isso" e o que eu deveria ignorar. A situação do país também não está das melhores, e o aumento de pessoas interagindo comigo também trouxe um aumento de pessoas sem noção nas minhas interações, trazendo todo tipo de lixo que eu não tenho disposição pra aturar.
A recomendação do meu psicólogo foi que eu gravasse um vídeo para o meu retorno à tal rede social, com instruções sobre que tipo de conteúdo meus seguidores vão encontrar por ali e que tipo de interação estou disposto a ter. Talvez alguns me achem arrogante por isso, mas acredito que o mundo seria bem melhor se todo mundo estabelecesse suas regras logo de cara, e é isso que eu vou fazer.
Além disso, devo me mudar nas próximas semanas. Talvez essa tenha sido a única informação que eu gostaria de compartilhar por aqui, mas não pretendo ir além disso porque já é exposição o suficiente.
quarta-feira, 14 de julho de 2021
Ando meio desligado
Ou queria andar. A internet me consome muito tempo e consome muito do meu emocional.
A maioria das amizades que tenho hoje surgiu na internet, aprendi algumas coisas até, mas estou cansado. Não estou mal, só estou cansado de tanta interação.
Dia desses teve um mané me ameaçando de processo porque ELE me xingou, acredita?
Há algumas semanas eu disse que estava com suspeita de dengue e esqueci de comentar que era dengue mesmo, mas passou depois de uma semana mesmo, como previsto.
O verme está com soluço e eu estou feliz.
domingo, 20 de junho de 2021
Não deixei de gostar de quase nenhuma música
Essa semana está sendo atipicamente típica. Pra variar (/iro), estou trabalhando bastante, mas mais do que o bastante ao qual estamos acostumados. Cliente vazou um trabalho que eu fiz recentemente antes dele ser devidamente lançado e mesmo assim não posso comentar. Chega a ser hilário, apesar de ter me levado a uma crise de ansiedade meio absurda. Mas tudo certo, seguimos vivos, dentro do possível. Aliás, falando em possível, continuamos naquela pandemia sobre a qual eu falei algumas vezes aqui. Eu continuo falando sobre isso como se esse registro fosse realmente tão importante quanto as memórias que vamos ter dessa época. Em notícias mais agradáveis, tomei a primeira dose da vacina já, por ser uma pessoa com deficiência e ter sido contemplado numa das fases da vacinação no começo desse mês.
Retomando a história do trabalho, sexta trabalhei muitas horas, e elas foram satisfatórias, mas ainda assim foram várias. Ontem, sábado, trabalhei bastante também, e hoje estou descansando até a hora da live. Acho que não contei por aqui, mas há alguns meses estou fazendo lives quase semanais com uma amiga minha. Fazemos as lives na Twitch e colocamos depois em formato de podcast nos streamings de áudio. Nesse meio tempo, eu já vi um pouco de Star Trek e agora estou ouvindo música. Amo Star Trek e nunca deixei de gostar de Doctor Who. Também amo músicas que jamais pensei que curtiria, mas não deixei de gostar de quase nenhuma música das que eu ouvia quando era mais novo. Talvez tenha deixado de lado só duas bandas que acabaram se envolvendo em crimes que me deixaram bem desconfortável. Mas, a cada atitude, boa ou ruim, uma recompensa adequada. Ou assim esperamos. Se a História não cobra, melhor a gente já ir cobrando...
Em entrevista recente, Peter Capaldi, que já foi protagonista de Doctor Who disse, em uma tradução livre:
"É bom ser importante, mas é mais importante ser bom."
Até a próxima.
domingo, 9 de maio de 2021
Café
Hoje eu tomei café e senti enjoo. Ontem eu falei sobre um assunto que me causa desgosto, que é o quanto eu tenho visto gente mais nova do que eu se sentir seduzida por discursos de ódio. Existe uma correlação entre os assuntos. E, como quase todo texto desse blog, a correlação puxa um pouco de como foi minha vida entre meus 16 e 19 anos.
Nessa época, eu estava me preparando para tentar uma vaga em universidade, entre ensino médio e cursinho pré-vestibular. Também foi a época em que eu estive o mais perto possível do que outras pessoas poderiam chamar de busca por uma tribo. Nunca fiz parte de nenhum grupo como os roqueiros, os emos, os otakus, os atletas descolados ou qualquer outra expressão que possa ter saído de um romance infanto-juvenil americano mal traduzido. Mas eu queria descobrir do que eu gostava de verdade, quais eram minhas convicções políticas ou até mesmo religiosas e qual era minha turma. Sinto que me encontrei, mesmo que eu não use esses rótulos citados como referência. Mas sem dúvida essa é uma época não apenas decisiva como também perigosa pra adolescentes ou jovens adultos.
Na ânsia de procurar uma turma, alguns podem usar sua revolta e sentimentos negativos como motor, não para procurar soluções, e sim para encontrar outras pessoas com esses sentimentos. Se solidão fez parte da vida da pessoa, ela precisa tomar mais cuidado ainda. Da mesma forma que temos acesso a coisas incríveis na internet, somos expostos a pessoas perigosas, que podem querer fazer de nós meros recrutas pra uma massa de manobra de ideais autoritários e nojentos em todos os níveis. Nunca passei nem perto disso, felizmente. De todos os problemas que vivi nessa época, nenhum chegou a me aproximar dessas coisas, pro orgulho da minha família e pelo bem da integridade das pessoas que eu amo. Pena que nem todo jovem tem uma rede de apoio que o impeça de chegar a esse ponto.
Sobre problemas pelos quais passei nessa época em que eu queria me entender melhor, já comentei sobre vários aqui, menos o café. Desde pequeno eu convivi com o café, porque meu avô paterno, minha mãe e minha irmã sempre gostaram muito. Eu bebia de vez em quando mas nunca tinha feito disso um hábito, até o meu primeiro ano de cursinho, em que eu comia um pão na chapa e tomava um café todo dia de manhã nos intervalos da aula, com a Manii, nós dois sentados no muro do outro lado da rua, falando de Doctor Who e Sherlock Holmes. E por conta da proximidade com os vestibulares, eu passava muito estresse, que eu não conseguia evitar. E também mascava chiclete quase o dia inteiro, porque me ajudava a me concentrar. Obviamente passei a ter gastrite. Não ia conseguir largar o chiclete nem abrir mão do nervosismo. Por isso eu parei com o café. Depois disso, se tomei mais de 5 xícaras de café em um ano, foi muito.
Hoje eu tomei café e senti enjoo.
sexta-feira, 9 de abril de 2021
Tudo que eu não sei
Eu pergunto.
Meu primeiro contato com a internet foi no meio dos anos 90, privilégio de um menino de classe média que tinha aprendido a ler bem cedo. O primeiro site que eu visitei foi o da Turma da Mônica, assim como foi para a maioria das pessoas da minha geração. Além disso, minhas diversões na internet também envolviam me aventurar no falecido (?) Napster, ver Charges e jogar aqueles joguinhos em Flash. Também ficava pesquisando sobre filmes que eu gostava até quase desmaiar. Durante um bom tempo da minha infância e adolescência, meu uso do computador foi limitado, não por imposição dos meus pais mas sim porque minha irmã mais velha monopolizava um pouco as coisas. Pude passar mais tempo nisso aqui depois que ela entrou pra faculdade, coisa que pode não ter sido muito saudável para mim.
Tem muita coisa na internet que eu não entendo, como algumas piadas e alguns fenômenos. Demorei muitos anos para ver graça no vídeo do Mamute, por exemplo, e ainda não vi graça no Harlem Shake. Parte dessa cultura da qual eu invariavelmente faço parte, parece mais indecifrável para mim do que para amigos e colegas com quem ainda tenho contato. Por outro lado, umas piadas nonsense que faço também não são compreendidas por outras pessoas, então fica elas por elas. Seja lá quem forem elas, e seja lá quem forem elas.
Nesse mês, uns 9 anos atrás, eu estaria na 6ª hora na frente do computador, sentindo que estava perdendo parte do conhecimento acadêmico que eu deveria estar adquirindo para passar no vestibular. Hoje estou na minha 11ª hora na frente do computador, por causa de trabalho. Não tomei Sol na fronteira da Consolação com a Itália. Na época eu não conhecia parte dos meus amigos e não conhecia Phoenix.
A título de curiosidade, enquanto escrevo esse texto, estou com suspeita de dengue. Caso o Pedro do futuro se esqueça, eu registro aqui que é horrível. Fiz o exame hoje às 7 da manhã. Torçam para que seja só dengue mesmo.
Qualquer dúvida, só perguntar.
sábado, 3 de abril de 2021
Complexo de Messias
Aprendi a ler aos 4 anos, e por conta dessa habilidade, tive uma epifania interessante uma vez. Na situação em questão, eu me olhei no espelho e pude notar que minha camiseta (da Stereo Vale, rádio do interior de SP onde meu pai trabalhava) estava com os dizeres na estampa ao contrário. Fiquei fascinado por isso, tentei decifrar o que estava acontecendo ali. Finalmente entendi que o espelho invertia as figurar, e no processo de entender o conceito de figuras enantiomórficas, também me dei conta da minha própria existência como nunca antes tinha tomado consciência. E fui entendendo que tudo que eu fazia tinha consequências sobre o ambiente ao meu redor, e que tudo que acontecia no meu redor tinha consequências sobre mim. Claro, uma criança pequena ficaria assustada com esses pensamentos, e foi o meu caso. Em uma hipérbole para fins puramente dramáticos, eu poderia dizer que nunca mais na vida fiquei tranquilo. O que mais me incomodou, entretanto, foi uma possibilidade meio burra que me ocorreu: ninguém mais tinha essa percepção da vida. Arrogante, certo? Hoje eu sei que, apesar de muita gente só existir sem viver, a maioria das pessoas tem a mesma noção que eu tive naquele dia. Cada um descobre isso a sua própria maneira e em seu próprio tempo. Nem todo mundo tem responsabilidade sobre essa percepção. Caso contrário, o mundo seria um lugar muito mais tranquilo e todo conflito da ficção seria considerado puro absurdo.
Durante um período da minha vida, eu frequentei cultos da Igreja Adventista porque eu estudava num, pasmem, Colégio Adventista. Eu gostava muito da forma como eles lidavam com a espiritualidade e com as outras pessoas. Eles demonstravam um tipo de respeito que eu não vejo muito por aí, principalmente em algumas denominações religiosas que chamam bastante atenção. Talvez essa doutrina de harmonia e respeito fosse exclusiva dos Adventistas de Jacareí, mas gosto de pensar que tem mais gente pelo mundo pensando dessa forma. Além disso, meu avô se converteu e se tornou evangélico quando eu ainda era pequeno. Sim, todos nós sabemos dos erros cometidos em nome das religiões, mas posso assegurar que meu avô era boa pessoa, mesmo sendo hiperfocado na igreja. Conto tudo isso apenas para ilustrar o pano de fundo da educação cristã que recebi ao longo da minha vida. Eu me esforço para fazer bom uso daquelas reflexões, então gosto bastante da questão de amar ao próximo e toda a história sobre respeito pregada por Jesus, e escolho ver apenas como lendas e fábulas todas aquelas outras histórias sobre genocídio e afins.
Dada minha educação cristã e minha percepção, digamos, intensa sobre minha própria existência, lá pelos 6 ou 7 anos, fiquei obcecado por uma ideia um tanto quanto perigosa, apesar de nobre. Se Jesus tinha sido tão bom e poderia voltar um dia, que garantias eu tinha de que não poderia... ser Jesus? E tal qual um personagem de quadrinhos dos anos 60 e suas dicotomias deliciosas e educativas, assimilei que com grandes poderes vinham grandes responsabilidades. Então eu queria que o mundo ao meu redor fosse afetado pelas consequências das minhas ações, e que fossem boas! Uma criança meio doida, mas muito bem intencionada, sim, pessoas de todos os tipos. O problema é que minhas primeiras ideias foram curar as dores nas pernas da minha avó com a força do pensamento e colocar minha mão no fogo pra ver se Deus me protegeria.
Minha mãe me impediu de botar a mão no fogo.
Depois de explicar pra mamãe o motivo de eu ter feito aquilo, ela pediu para o pastor e orientador pedagógico da escola, o Pastor Jefferson, conversar comigo. Ele foi muito legal. Aprendi que, dentro da crença de que Deus existe, eu recebi d'Ele o poder de ajudar os outros, como por exemplo, passando hidratante nas pernas da minha avó.
Desde então, só me machuquei por ser desastrado mesmo, e nunca mais numa tentativa insana de me provar um Messias.
Salve o dia você também.
Atenciosamente,
Fringon, o Replicante
segunda-feira, 8 de março de 2021
Digo
Infelizmente, a pandemia não acabou e ela tem levado muita gente. Entre essas pessoas, estava meu primo Rodrigo. A partida dele me deixou abalado como já era de se esperar. Por conta do aumento do número de contaminações e mortes, fui autorizado a voltar a trabalhar em casa temporariamente. Pretendo voltar a desenhar regularmente como eu fazia há alguns meses. Também quero estudar teoria musical pra dar vida a algumas outras ideias. Quem sabe não volto a jogar FPSs para me distrair também? Quem me apresentou aos FPS foi meu primo Rodrigo.
Que Deus o tenha em bom lugar.
Cuidem-se.